Tuesday, April 14, 2009

Carnatal: o Carnaval fora de horas

Carina Monteiro*

A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, nordeste do Brasil, celebrou mais um Carnatal (Carnaval de Natal), o 18º. Para a maioria dos portugueses que viajam para Natal sobretudo por causa das praias, o Carnatal é ainda desconhecido. No entanto, e em números, o Carnatal é o maior Carnaval fora de época do país. Todos os anos, mais 13 milhões de pessoas, entre brasileiros e turistas, enchem as ruas da cidade para quatro dias de folia. O Carnatal celebrou-se entre os dias 4 e 7 de Dezembro e, para comemorar a maioridade do evento, desfilaram dez blocos, cada um composto, em média, por quatro mil foliões. O percurso foi o mesmo dos anos anteriores, 3800 metros de extensão, sendo 800 metros só no corredor da folia, onde ficam os 294 camarotes e as arquibancadas (com capacidade para nove mil pessoas).

Festa faz-se nos Camarotes
A festa começa cedo, às 17h os foliões começam a chegar ao recinto ou, então, como é hábito, reúnem-se em casa de alguém antes de seguirem para o Carnatal.
Quem não quis entrar nos blocos, pôde optar pelos camarotes, pagando em média 250 reais pela entrada. Dos camarotes assiste-se de perto às performances das bandas de maior sucesso da música baiana e músicos potiguares (naturais de Rio Grande do Norte) que desfilaram nos blocos. A cantora Ivete Sangalo, bem conhecida dos portugueses, foi uma das actuações deste ano. Os camarotes têm diversão para todos os gostos. Os especiais têm atracções também especiais: DJ’s, salas de Internet, lounge, comida e bebida, áreas de relaxamento, de alimentação e pistas de dança. A festa faz-se até haver energia para pular.

Natal de dia
Nesta altura do ano começa o Verão no Brasil. É por isso que o Carnatal não é o único motivo para visitar a cidade. Natal, assim como toda a região do Rio Grande do Norte, é conhecida pelo seu litoral, com quase 400 quilómetros de extensão. O melhor cartão postal de Natal são as praias paradisíacas e as dunas, as maiores do país, o que faz com que os passeios de buggy sejam a maior atracção do destino. Os passeios de buggy fazem-se em outras cidades do Brasil, como Fortaleza, mas aí é preciso andar quilómetros para encontrar dunas. A grande vantagem de Natal é que as dunas vivem paredes meias com a cidade, e só é preciso atravessar a recém construída ponte Forte-Redinha para entrar num verdadeiro parque de diversões natural. Por cerca de 75 reais por pessoa aluga-se um buggy com capacidade para quatro pessoas, com um “bugueiro” que os conduzirá por uma viagem que se quer com “extrema emoção”. Pelo meio, paragem para beber uma água de côco ou dar um mergulho nas lagoas que se formam entre as dunas.
As dunas são “o pulmão” do turismo de Natal. Foi a expressão usada por um dos bugueiros que acompanhou o grupo. No entanto, se a proximidade com a cidade é vista co­mo uma mais-valia, também pode causar alguns problemas. Como é o caso da construção desenfreada. Existem projectos imobiliários para esta zona, mas que os bu­gueiros que­rem que sejam controlados pa­ra não destruir “a atração da cidade”.

Cultura Potiguar
A alegria e a religião estão no sangue dos potiguares. É por isso que a região tem um sem número de festas, procissões, shows e eventos. Os potiguares sabem receber. E pequenas iniciativas como a de Kadmo Donato, bugueiro de profissão, que já vai na terceira edição do dicionário de “potiguês”, feito pelo próprio, são um bom exemplo de como os potiguares gostam de receber e mostrar a sua cultura aos turistas. Terra de pescadores, o nordeste tem uma cozinha rica em sa­bores vindos do mar, como é o caso do camarão, abundante na região. Comida, bebida e festa são razões de sobra para conhecer Natal. n

* A jornalista viajou a convite da TAP e da Emprotur

Holbox, refúgio de piratas


Ruben Obadia*


Perto de um dos maiores destinos turísticos do México (Cancún), a ilha de Holbox permanece desconhecida para a maioria dos turistas. E é isso que lhe confere o encanto…É um dos segredos mais bem guardados do México e não é para menos.


A ilha de Holbox é um pequeno paraíso com 43 quilómetros de comprimento e um de largura, onde impera areia branca e fina, banhada pelas plácidas águas quentes do Golfo do México.O sucesso de destinos como Cancún e Riviera Maia explicam em parte o facto de Holbox ter permanecido, até agora, longe dos holofotes da ribalta, num obscurantismo que a salvou de ser destruída pelos grandes projectos turístico-imobiliários. Holbox, é pronunciado Holbosh, já que o ‘x’ em língua Maia lê-se ‘sh’, e situa-se na ponta norte da Península do Iucatão. Depois de três horas de carro chega-se a Chinquilla, uma pequena cidade situada no continente, de onde parte o ferry para a ilha ou, em alternativa, se pode alugar um táxi-barco. Vinte minutos volvidos, após atravessar a lagoa Yalahao, eis-nos chegados ao paraíso.

Holbox tem cerca de 1600 habitantes, a maioria pescadores, e muitos deles descendentes de casamentos entre piratas, que fundaram a ilha, e Maias da região. Portanto, não espere encontrar uma aldeia sofisticada. Pelo contrário, as estradas são em areia, todas convergindo para uma praça central onde existe um campo de basquetebol, que parece ser o desporto mais popular da ilha. Carros também não há, sendo que os únicos veículos permitidos em Holbox, para além de bicicletas e motociclos, são os carrinhos de golfe.Chegar à Ilha de Holbox é como recuar no tempo até aos anos 50 ou 60. Aliás, andar de relógio é totalmente despropositado, já que o tempo deixa de fazer sentido. Não há discotecas ou bares, a caixa de multibanco mais próxima situa-se a 200 quilómetros, e apenas uma dezena de restaurantes satisfazem as necessidades dos poucos turistas que se aventuram pela ilha. Entre eles o mais conhecido é o Edelyn, pelas suas pizzas de lagosta, embora o Viva Zapata seja bem mais típico e agradável.Ao nível do alojamento as opções não são muitas mas todas são localizadas junto ao mar. E quando se lê junto ao mar, entenda-se a cinco metros da água! Nada de grandes resorts ou edifícios com mais de um andar. Apesar das limitações a ilha consegue oferecer de tudo, para todos os gostos e para todas as carteiras. Desde o chique discreto da Casa las Tortugas, com cabanas construídas de acordo com as tradições locais, as Palapas, ao Hotel Casa Sandra com um Spa holístico.

Depois de instalados começa a verdadeira aventura. E que aventura é essa? Não fazer absolutamente nada! Este é o destino ideal para quem quer fugir ao stress das grandes cidades, longe das hordes de turistas, e da tecnologia das sociedades modernas - rede de telemóvel só em alguns locais da ilha. Mas apesar de ser uma pequena ilha, Holbox é bastante heterogénea. Se do lado direito situa-se a maioria dos pequenos hotéis, o lado esquerdo surpreende pelo isolamento, onde se pode caminhar nas águas cristalinas e quentes durante mais de um quilómetro sempre com água pela cintura. Se caminhar não faz parte dos seus planos de férias a opção é alugar um pequeno carro de golfe e fazer-se à estrada. Perdão, à areia…

As actividadesde Holbox

Ao fim do segundo dia de praia é natural que seja acometido por um sentimento de pânico, tal a bonomia em que está mergulhado. E é mesmo no mergulho que está a salvação. O símbolo de Holbox bem poderia ser o tubarão-baleia - aqui conhecido por tubarão dominó -, tal a quantidade de anúncios a excursões para mergulhar junto ao maior peixe dos oceanos. A uma hora e meia de barco da ilha chega-se a um dos poucos locais no mundo onde é possível fazer snorkling junto a estes simpáticos gigantes. São às dezenas, com as suas bocas a sulcar a linha de água, em círculos lentos e estudados. E mergulhar requer alguma coragem inicial, logo ultrapassada pela emoção de nadar lado a lado com o tubarão-baleia ou ser surpreendido pela vizinhança de uma manta gigante.A ilha dos pássaros é outro dos locais a não perder. Situada a apenas meia hora de barco é, como o nome indica, um autêntico santuário de pássaros, albergando mais de 155 espécies. Ali é possível avistar flamingos, pelicanos, patos, entre muitos outros. No entanto, é estritamente proibido passear na ilha, tal a fragilidade do ecossistema, existindo alguns miradouros e passadiços em madeira onde os amantes de ‘bird watching’ podem tirar a barriga da miséria.Outra ilha a merecer uma visita é a Ilha da Paixão, a cerca de 15 minutos de barco da ilha-mãe. O nome já diz tudo e é só imaginar uma pequena ilha deserta de areias brancas, a sombra de palmeiras, e o barulho melodioso dos inúmeros pássaros, únicos habitantes do local. Os amantes da pesca encontram também em Holbox uma resposta às suas preces, sendo usual assistir à exposição dos troféus - barracudas, garoupas, entre outras espécies - na pequena doca de madeira da ilha.Enfim, a ilha de Holbox pode muito bem ser o local de férias preguiçosas ou, num abrir e fechar de olhos, ser o local ideal para quem procura desportos de mar e aventura. Mas para quem deseja um pacote mais completo, o conselho é combinar Holbox com Riviera Maya, de onde poderá partir à descoberta das ruínas de Tulum, a Sul da Praia del Cármen, ou explorar a impressionante zona arqueológica de Coba.Mas vamos por pontos. Se na chegada a Cancún se aconselha pernoitar na cidade antes de partir à descoberta de Holbox, no regresso da ilha para uns dias mais ‘civilizados’ na Riviera Maia é imperativa uma passagem por Coba.

O esplendor da Riviera Maya

A cerca de 50 quilómetros a sul do aeroporto internacional de Cancún começa verdadeiramente a Riviera Maya, com a cosmopolita Praia del Carmen, nome dado em honra da Nossa Senhora do Monte Carmelo, patrona da cidade de Cancún. Com pouco mais de 100 mil habitantes, a Praia del Carmen tem uma notória influência europeia, fruto dos muitos europeus que a escolheram para viver, e é um ponto de partida para viver as inúmeras experiências da Riviera. Quer seja para se fazer ao mar, rumo à ilha de Cozumel, num dos muitos barcos que partem a toda a hora do porto de Calica, quer para simplesmente usufruir das inúmeras praias onde a areia branca e o mar azul-turquesa domina. Mas é a partir do fim da tarde que a Praia del Carmen surpreende os recém-chegados, já que é a altura em que tanto locais como turistas confluem para a Quinta Avenida e avenidas paralelas. Aqui é possível ouvir desde americano a norueguês, passando pelo russo, o espanhol ou mesmo o japonês. E é ver a infinidade de lojas de grife, de pequenas bancas onde o artesanato domina, ou da oferta gastronómica pronta a satisfazer todos os apetites e bolsas. E por falar em comida, o destaque vai inteirinho para o restaurante Yaxche Maya Cuisine, onde se saboreiam vários pratos inspirados nas tradições culinárias dos maias, além de várias entradas baseadas na comida tradicional Yucateca.Ao nível do alojamento a oferta é verdadeiramente variada, embora a opção recaía invariavelmente nos inúmeros resorts tudo incluído que se estendem a sul até à cidade de Felipe Carrillo Puerto. A nossa escolha foi para o Grand Palladium Riviera Resort, um impressionante complexo hoteleiro situado a apenas 20 minutos da Praia del Carmen e implantado nuns impressionantes 1,2 milhões de metros quadrados. No total o resort oferece 454 quartos, dos quais 360 suites juniores, 72 suites e 22 ‘suítes maias’, seis restaurantes e um sem número de actividades. A pensar exclusivamente nos adultos, o Grand Palladium Riviera reservou uma área, a que designou “Suites Royal”, num conjunto de 130 quartos exclusivos situados à beira de um dos lagos no local.Mas se quer fugir dos grandes resorts há também hotéis de charme na própria Praia del Carmen, para além de pequenas unidades mais charmosas situadas ao longo da costa.Inevitável é visitar o Parque eco-arqueológico de Xcaret. Além dos vestígios arqueológicos, das actividades aquáticas, da riqueza da fauna e da flora, é possível assistir a um espectáculo (acompanhado de jantar) em que o espectador experimenta toda a riqueza cultural e folclórica do México. Se ainda sobrar tempo, um salto a Xel-Ha, um verdadeiro aquário a céu aberto, é também uma experiência inolvidável.E já em tempo de contagem decrescente para regressar, uma manhã de experiências no Rancho Punta Venado é certamente a cereja no topo do bolo.


* O Publituris agradece ao Grupo Orizonia Portugal, à Oficina de Turismo do México e à Fideicomiso de Promocion Turística de la Riviera Maya

Encontro de culturas em Istambul


Fátima Valente*

As comparações com Lisboa são inevitáveis. Ele é a luz branca inconfundível, o casario que se estende até ao Bósforo, ou uma das pontes que o atravessa que bem podia ser a 25 de Abril. São as sete colinas e os sons dos eléctricos; é a sensação de se estar longe e em casa... afinal estamos na Europa e na Ásia

A entrada da Turquia na União Europeia ainda é uma incógnita e não parece tirar o sono aos cerca de 12 milhões de habitantes de Istambul, até porque, antes disso, em 2010, a cidade será capital da cultura. Mas a palavra integração é algo que não precisa de se ouvir nas ruas, basta olhar-se à volta para se perceber que aquela que já não é a capital do país (foi-o no tempo do Império Otomano, Império Romano do Oriente e desde a fundação da República até 1923), continua a ser a capital do multiculturalismo.

Séculos e séculos de história testemunham a convivência e as marcas alternadas de muçulmanos e minorias de cristãos e judeus. E as mesquitas, igrejas e palácios antigos dos sultões estão lá para o confirmar.

Com um legado arquitectónico de que poucas cidades se podem orgulhar, às vezes opulente, às vezes exuberante, Istambul, ou Bizâncio e Constantinopla, (conforme a sucessão dos impérios), exibe a beleza postal dos minaretes mas também as estátuas de Atatürk. A imagem do fundador da República (1923), conhecido co­mo o pai da Turquia, está um pou­co por toda a cidade e remete para o conceito de modernidade que o mesmo procurou instituir. Resultado? O conjunto sai a ganhar e o contraste é ainda mais apetecível.


Cosmopolita e tradicional

A vida na cidade corre sem sobressaltos, apenas interrompida pelo chamamento da oração, cinco vezes ao dia. A segurança reina e a sensação que se tem é a de um kebab cultural.

Os bairros têm identidades muito próprias, e vão desde os mais cosmopolitas (Beyoglu, com a conhecida praça de Taksim), aos mais tradicionais e turísticos como Sultanahmet. Este é habitualmente descrito como o coração da cidade antiga, e é aqui que ficam os grandes monumentos classificados pela UNESCO, co­mo a Mesquita Azul ou a Igreja de Santa Sofia, o Hipódromo ou o Palácio de Topkapi, a mais emblemática residência dos sultões, com vista para o Corno de Ouro, o Bósforo e o Mar de Mármara.

E até os bazares, à parte o elemento comum dos cheiros, cores e fácil desorientação geográfica e de sentidos, parecem desempenhar pa­péis distintos e complementares. O Grande Bazar é o maior e mais turístico (até nos preços), e ponto de visita obrigatório para quem se quer emaranhar nas mais de 3.000 lojas. Já o Bazar Egípcio ou Mercado das Especiarias funciona um pouco como mercado alternativo, onde os locais preferem fazer as suas compras mas os viajantes também são bem-vindos.

Falta do que fazer é coisa que os turistas não terão em Istambul. Passeios culturais, andar de eléctrico, tomar um chá de maçã, comer um kebab de carneiro, ou até optar por um banho turco, tudo são opções viáveis. Um passeio de ferry no Estreito do Bósforo, para um contacto mais directo com as duas margens - a Europa e a Ásia - é algo que também deve ser feito. O passeio dura aproximadamente uma hora (durante o Inverno, aconselha-se o interior do ferry) e passa em revista mansões otomanas,(algumas pa­ra cima de meio milhão de dólares), palácios transformados em hotéis de charme, escolas e universidades, assim como alguns bares e esplanadas.

A experiência não ficará completa sem um espectáculo de dança do ventre. Este tipo de animação faz parte da oferta de alguns restaurantes, como na zona do mercado do peixe de Galatasaray, ou na Torre de Gálata (no bairro de Beyoglu), com uma vista de 360º graus sobre a cidade a partir dos seus esguios 61 metros. Neste caso, aconselha-se a reserva antecipada, sobretudo para grupos, dadas as limitações de espaço.

*A Jornalista viajou a convite da Pacha Tours


Pacha Tours

Programação à partida de Lisboa, Porto e Faro

Istambul é dos principais destinos da Pacha Tours, em voos Turkish Airways. O operador tem vários programas para esta cidade, incluindo pacotes combinados que a ligam a outras regiões da Turquia e países vizinhos. Assim, estão em comercialização o circuito “Tesouros da Turquia” (10 noites, com partida de Lisboa às quintas-feiras); “O Este da Turquia” (14 noites, com partidas de Lisboa à sexta-feira); “Toda a Turquia” (14 noites - partidas de Lisboa e Porto às quintas e sextas-feiras); “Istambul + Capadócia (7 noites, partidas de Porto e Lisboa aos domingos); “Tuquirama” (7 noites, partida de Lisboa, Porto e Faro aos domingos); “Maravilhas da Turquia (7 noites, partida de Lisboa às terças-feiras); “Porta do Oriente” (9 noites, partidas de Lisboa, Porto e Faro aos domingos); “À descoberta do Iémen” (9 noites, partidas de Lisboa, Porto e Faro aos domingos); e “À descoberta do Uzbequistão” (11 noites).
TravelTips



Istambul

A cidade tem um parque hoteleiro bastante diversificado. Desde a versão B&B, menos difundida no mercado português, ao hotel de charme, Istambul ostenta várias marcas de renome - do Ritz ao Intercontinental e Kempinski - com unidades recentemente inauguradas e novas em perspectiva.

A gastronomia é rica, sendo o kebab de carneiro uma das especialidades turcas. Destacam-se também o “haidari” (iogurte com alho), o “borek” (prato à base de endíveas), o “açik pide” (uma espécie de pizza).Tudo deve ser acompanhado por um sonoro brinde que o mesmo é dizer ‘serefe’, e no final rematado com uns “Baklava” (pequenos bolos feitos à base de mel e frutos secos).

O trânsito é uma das características da cidade. Sem grande congestionamento, a distância percorrida entre o aeroporto e o centro da cidade é de aproximadamente meia hora ou 45 minutos.

As principais atracções turísticas estão na margem europeia. A maioria da população vive do lado asiático e trabalha no lado europeu.

Disneyland Resort Paris: O sonho aqui ao lado


Rita Sevilha*


Dormir num castelo, visitar a cidade luz e privar com as personagens do universo Disney foi o desafio lançado ao Publituris pela Eleva. A operadora turística deu a conhecer como pode ser o dia-a-dia de um cliente final no reino da fantasia

Foi pela “mão” da Eleva que o Publituris entrou no mundo da Disney e se perdeu entre a ficção e a realidade. Com o objectivo de dar a conhecer os hóteis associados da Disney com os quais trabalha e ainda como pode ser o dia-a-dia dos clientes da operadora turística na Disneyland Resort Paris, a Eleva convidou o Publituris a entrar pela porta onde os sonhos se tornam reais. O jornal apresenta-lhe o reino da fantasia. À semelhança do que acontece com um cliente Eleva, foi pelos transportes oficiais, que circulam desde as seis da manhã à meia-noite e que passam com frequência pelos hotéis, que chegámos à Disney. Em vésperas do pontapé de saída do “Mickey Magical Party” [que começou a 4 de Abril], eram notórios os preparativos daquela que prometia ser uma festa de arromba. A diversão está em todos os lados e é para todas as idades, desde as montanhas-russas mais arrojadas, aos divertimentos mais calmos, há-de tudo, sempre acompanhado de cenários surreais onde as personagens dos mais conhecidos filmes e histórias não faltam. Durante o tempo de estadia nos parques o desafio é o de ser um pouco de tudo. Desde spacerider, princesa e Indiana Jones, até andar perdida no labirinto da Alice e acabar a dançar na Parada Disney com o Mickey, o Capitão Gancho ou a Branca de Neve. Aqui é a imaginação que comanda. São dois os parques de diversões: O Disneyland Park e o Walt Disney Studios (o mais recente dos dois). Ao entrar no Disneyland Park o primeiro impacto é o de estar a percorrer uma qualquer rua principal de uma cidade americana. Estamos na Main Street USA, onde não falta a velha estação de comboios a vapor.

Os parques
Ao fim da rua a tarefa é a de decidir. O parque divide-se em quatro áreas temáticas. A futurista Discoveryland, que nos leva numa viagem pela galáxia; a sonhadora Fantasyland, onde os contos de fadas e os sonhos de infância ganham contornos reais; a corajosa Adventureland, onde do Oriente às Caraíbas a adrenalina é garantida; ou a legendária Frontierland, onde a febre do ouro espreita em cada esquina. Em qualquer uma delas o divertimento está assegurado. Diversão é também o que não falta a quem quiser viajar por detrás de cenários conhecidos e descobrir a magia por detrás do cinema no Walt Disney Studios. Também este parque se subdivide em quatro. A Front Lost, uma homenagem ao melhor de Hollywood; Toon Studio, um tributo à arte da animação; Backlot, onde se entra no filme Armagedon e se é desafiado a sobreviver a uma chuva de meteoritos; ou Production Courtyard, onde é possível andar por detrás dos cenários, nos bastidores de um grande filme. A Parada Disney é um dos pontos altos da oferta. Ao som dos clássicos, todas as personagens do universo Disney desfilam, cantam e dançam, num cortejo cheio de cor, de vida e de nostalgia. Depois de encerrados os parques, a diversão continua noite dentro na Disney Village, mas desta feita, a oferta recai sobre os restaurantes, os bares e os espectáculos. Enquanto convidados da Eleva, o Publituris foi assistir ao Buffalo Bill’s Wild West Show, e teve a oportunidade de provar a gastronomia texana enquanto embarcava numa viagem ao Velho Oeste.

Oferta hoteleira
Entrar no reino da fantasia não tem de ser tarefa que envolva gastos excessivos, nomeadamente no que diz respeito a alojamento. A convite da Eleva, o Publituris visitou os hotéis associados Disney com quem a operadora turística mais trabalha, e descobriu que entre vários temas também existem conceitos para várias bolsas. E porque não visitar a Disneyland Resort Paris, ficar a pouco mais de uma hora da cidade luz, para quem sabe visitá-la, e alojada num apartamento? Esta foi uma das apostas da Eleva. Adágio é o nome dos aparthotéis que oferecem estúdios com uma capacidade de três até 10 pessoas, estando totalmente equipados, nomeadamente ao nível da cozinha, e que ficam situados num centro urbano a cerca de 15 minutos da Disney, com a vantagem de estar localizada próxima de equipamentos complementares, tal como uma galeria comercial, com lojas, restaurantes e super-mercado. Com esta oferta hoteleira, a Eleva pretendeu mostrar como se pode visitar a Disney poupando, nomeadamente nas refeições, estando o pequeno-almoço incluído na diária, e ficando alojado num regime onde os horários ficam ao critério e liberdade de cada um. Ao todo são 290 apartamentos, e o complexo compreende entre outras valências, piscina exterior. Para quem quiser ficar em regime de hotel a oferta é vasta. A opção pode ser a de ficar alojado numa quinta tradicional da região de Brie com uma vista panorâmica sobre os campos em redor, no hotel Kyriad. Ou vestir a personagem de um explorador e dormir no Thomas Cook Explorers. Aqui é possível optar por suites temáticas, e todo o hotel está pensado e decorado para surpreender os mais novos. Desde os quartos à piscina todos os detalhes foram pensados para fazer da estadia uma descoberta contínua. A opção pode ainda recair pelo principesco Dream Castle, um castelo de quatro estrelas que apresenta os diferentes períodos da história dos cavaleiros da Idade Média. Ou ainda o Magic Circus, onde a magia circense foi fonte de inspiração. Todos os hotéis ficam a cerca de oito minutos dos Parques, e, bem como os aparthoteis Adágio, contam com transporte oficial e regular para a ida e volta dos parques. Desta forma a Eleva lançou o convite a descobrir a magia da Disney e da cidade luz, dando a conhecer um programa onde diversão é palavra de ordem.
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* A jornalista viajou a convite da Eleva

Tanzânia: Jambo, jambo bwana. Hakuna matata**


Fátima Valente*

Da ponte, com as objectivas apontadas para o rio Katuma, em pleno Parque Nacional de Katavi, o grupo regista os movimentos e sons dos hipopótamos mergulhados nas águas lamacentas. Estes brincam aos submarinos e, tanto emergem da água como repuxos, como alimentam desavenças entre si, gerando brigas ao estilo National Geographic. Tudo isto sob o olhar impávido e atento dos crocodilos, que não temem em fazer-se à água, enquanto alguns “tecelões da aldeia” (pássaros) fazem ninho nas árvores das margens e os sujeitam à aprovação das fêmeas, sob pena de os terem de começar de novo. Mais adiante, girafas masai atravessam em galope gracioso à frente do jipe para, em terreno seguro, fitarem a curiosidade humana, enquanto manadas de zebras e impalas aumentam a passada perante a aproximação dos turistas. Durante o safari até ao acampamento de luxo - Palahala Camp -, (cerca de uma hora sem contar com o tempo do pequenique do almoço, de preferência debaixo de uma acácia ou outra árvore centenária), há ainda tempo para encontros imediatos com bandos de babuínos e para medir território com os bufálos especados na linha do horizonte. Pelo meio, fica a memória de um elefante perdido dos seus, e a sensação de sermos os últimos a ver um certo waterbuck (antílope) com vida.

As cenas da vida selvagem ilustram as emoções possíveis no Parque Nacional de Katavi, em Fevereiro, o último mês da estação seca, que vai de Maio a Outubro e de meados de Dezembro a Fevereiro. Janeiro/ Fevereiro é a época ideal para quem quer assistir às migrações, por norma turistas mais experimentados em safaris e já com outros parques no currículo, tanto na Tanzânia (o Serengeti é o maior de todos), como nos vizinhos Quénia e África do Sul. Mas para quem vai decidido a ter uma “cat experience” e não quer passar sem ver leões, o melhor é reservar a visita a Katavi de Julho a Outubro. Setembro é também uma boa altura para ver crocodilos e hipopótamos, já que na estação quente, o abaixamento do nível das águas faz com que se concentrem em áreas mais reduzidas. Ainda assim, a água é um elemento abundante no parque, pois além do Rio Katuma, o parque tem dois lagos - o Katavi, a Norte, e o Chada a Sul -, o que faz com que atraia uma considerável soma de aves exóticas (cerca de 400 espécies), a somar aos 35 espécies de mamíferos que ali habitam.

Katavi é o terceiro maior parque da Tanzânia (2,253 km²) e segundo reza a lenda foi buscar o nome a um grande caçador “Katabi”, que até hoje terá o seu espírito numa árvore. Este parque nacional foi criado em 1974 e apesar de continuar a ser um dos “segredos mais bem escondidos de África”, tem crescido bastante nas últimas duas décadas, ocupando mais do dobro da área inicial. Mas ao contrário de outros, densamente povoados de turistas, Katavi permite uma exploração sossegada, sem grande corrupio de jipes a disputar o ângulo mais próximo dos bichos.

A exclusividade é o grande argumento de venda de Katavi, que em 2008 contou menos de 2000 visitantes, quando comparados com os 200 mil do Serengeti. Aliás, o pouco tráfego de Katavi faz com que seja possível sair dos trilhos, em busca dos animais, algo bastante mais condicionado noutros parques.


Exclusividade e luxo

O acesso a Katavi não é dos mais imediatos, mas também é isso que o torna mais exclusivo. A chegada por via terrestre é possível, mas não a melhor opção já que demoraria dias. A mais acertada são mesmo os charters privados, programados de acordo com a conveniência e horários dos grupos. Do Aeroporto de Arusha, o voo doméstico demora uma média de três horas, incluindo paragem para abastecimento de combustível no Aeroporto de Tabora, quando a lotação do avião (12 lugares) vai quase esgotada.

O dia começa cedo, com o pequeno-almoço no Arusha Hotel a antecipar duas viagens, primeiro de autocarro, da cidade até ao aeroporto com o mesmo nome, depois num Cessna 208B da Zantas Air até ao mato. À espera do grupo, na Ikuu Airstrip (pista de aterragem na savana, perto do Posto de Rangers de Ikuu), estava Tom Litgow, director da empresa de safaris Firelight Expeditions e do Palahala Camp, assim como de Lupita, a ilha que serviria mais tarde de descanso aos três dias no mato.

O Palahala Camp, com cerca de um hectar em campo aberto, é um dos quatro alojamentos do Parque de Katavi, que no total tem capacidade para 72 pessoas. Com oito tendas e capacidade para 16 pessoas, é mais selvagem do que alguns lodges noutros parques mais conhecidos, mas igualmente confortável. Na verdade, tem tudo o que um turista de safari pode esperar no mato: luz de gerador e tomadas a pedido (apenas no ‘backstage’ do acampamento); banho a horas certas para não perder a água quente (pré-aquecida num bidão); café da manhã em room service, a anteceder o pequeno-almoço em grupo; e serviço de escolta, de e para a tenda, antes e depois do jantar, não vá um animal mais afoito querer vir atrapalhar o convívio.

No Palahala, a imaginação é o limite e as surpresas uma constante, podendo variar entre conduzir os turistas a um pôr-de-sol com “bar aberto” em pleno rio - remate perfeito de um safari a pé escoltado por rangers -, a pô-los a cozer o próprio pão do jantar. A graça está em entrar na brincadeira, mesmo quando o resultado varia entre “o cru e o quase sempre queimado”.



Lupita, o descanso merecido

Não há mato que sempre dure nem savana que nunca acabe. A expressão não é das mais felizes, mas serve para ilustrar o bem que soube chegar a Lupita, uma ilha transformada em lodge em pleno Lago Tanganica, o segundo maior de África, partilhado por uns quantos países (Tanzânia, Congo, Burundi e Zâmbia) e, já agora, uma raridade da natureza, pois os seus 1400 metros de fundo e localização tropical, fazem das águas “fósseis” ou “sem oxigénio”. Em vez de salgada a água do lago é doce, e potável, ao ponto de poder beber-se.

Para Tom Litgow, aventureiro que se deixou contagiar pelo turismo há alguns anos, “foi amor à primeira vista”. O empresário já acampava nas margens do lago há muitos anos até que certa vez sobrevoou a ilha de helicóptero, tirou muitas fotos, e dali até pôr o projecto de pé (idealizado em conjunto com a mulher, Belinda), foi só o tempo de arranjar investidor.

O Lupita Island Lake Tanganyka, com 13 bungallows, abriu em Setembro de 2007. O projecto tem particularidades, como o de dar emprego aos locais e apoiar na construção de escolas nas povoações mais próximas, como Kipili, onde a pesca é a actividade de subsistência dominante. Aliás, segundo informação do empresário, este terá investido três vezes mais (não se sabe ao certo quanto) em Lupita e Katavi do que o Produto Nacional Bruto da região (Rukwa).
A chegada a Lupita faz-se de lancha, após aterragem em Kipili. O serviço no lodge é pautado por um luxo ainda mais extremo do que o de Katavi, com direito a um mordomo por bungallow. E ao contrário das tendas da savana, estes já são de pedra e madeira, embora as divisões primem pela ausência de portas e janelas e número de paredes incerto. A ideia (conseguida) é permitir uma vista desimpedida sobre a varanda (onde ficam a banheira e o tanque individual), o arvoredo cerrado e o Lago Tanganica.

Nos quartos, as boas-vindas são dadas por uma garrafa de vinho tinto e um xerez acolhedor, bastante útil nas manhãs de chuva tropical, enquanto se faz uso das colunas de Ipod à disposição dos hóspedes. Os caprichos servem-se à medida, com possibilidade de refeição nos chalés, sempre que o propósito da estada é uma lua-de-mel, ou simplesmente por­que apetece.

Spa, ginásio e piscina exterior são outros mimos comuns no Lupita Island Lake Tanganyka. O terreno é escarpado e as distâncias entre bungallows e áreas comuns grandes, mas as mesmas podem ser encurtadas com recurso aos buggies ou com a perseverança de uma caminhada.
Das actividades possíveis constam ainda programas de caiaque ou snorkeling no lago, ou uma volta à ilha no Winsor, o barco recentemente adquirido pela família, que acumulou histórias e peripécias no transporte para a ilha. Já em terra firme, as opções variam entre os passeios de bicicleta e a pé, e a observação das fauna e flora, com respectiva explicação por um conhecedor local. Fica ainda a informação que as plantas medicinais são em abundância e que, segundo os antigos, tanto podem tratar problemas de gengivas como substituir o viagra. Perante a indecisão, o turista pode também optar pelas leituras na biblioteca (alimentada pelo sistema de troca de livros entre turistas) ou simplesmente deixar-se ficar pelo bar.

Da ilha de Lupita, o grupo seguiu viagem para Zanzibar. Mas as aventuras na ilha das especiarias ficam para uma próxima edição.

* O título é a letra de uma música em suaíli. A tradução para o português é: “Olá, Olá senhor. Não há problema”.
** A jornalista viajou a convite da Across e da Air France/ KLM



Tanzânia
País de contrastes

Pensa-se na Tanzânia e de imediato vem-nos à memória o Monte Kilimanjaro, a ideia do berço da humanidade e, claro, os safaris, a vida selvagem e a natureza no seu estado puro, onde o cartão de visita são os big five: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte.

Antes de se fazer a viagem, a Tanzânia é isto. No regresso, é isto e muito mais. É o país da diversidade étnica e cultural, com 127 tribos (a Masai a mais conhecida de todas, e a maior com menos de dois milhões de pessoas); a nação jovem, que no século XX trocou o jugo da Alemanha pelo da Inglaterra e que só em 1964 conheceu a independência, quando da união de Tanganica e Zanzibar.

Tanzânia é sinónimo de terra que sabe receber, onde as gentes, locais e de fora - alguns vieram das escolas de hotelaria do Quénia (de Nairobi, por exemplo) -, não poupam nos sorrisos nem nos cumprimentos (Jambo), e onde se dá o devido valor aos prazeres simples da vida como um pôr-do-sol ou uma noite estrelada igualmente intensa.


TravelTips
Guia prático

O inglês e o suaíli são as línguas oficiais, e o xelim da Tanzânia a moeda local (1 € é igual a 85 xelims). A entrada no país implica passaporte válido por seis meses e visto (obtido à chegada ao aeroporto por 50 dólares). Na preparação da viagem é obrigatória a vacina da febre amarela e aconselhável a profilaxia da malária.

Aconselha-se roupa prática e leve, e calçado fechado e confortável.

No Norte da Tanzânia, perto da Garganta de Olduvai, foram descobertos fósseis humanos com mais de dois milhões de anos, sendo a área conhecida como berço da humanidade. O Monte Kilimanjaro - a montanha mais alta de África, com 5895 metros de altitude - e o Monte Meru (com 4.565 metros), são os dois grandes cartões de visita.

O país tem vindo a emergir para o Turismo (actualmente é a segunda actividade económica), e o número de visitantes nos parques tem aumentado. Mas o país não está imune à crise económica, e o presidente Jakaya Kikwete já avançou (na última conferência do FMI em Dar Es Salem) que as entradas de turistas podem decrescer até 18%.

Arusha é a terceira cidade mais populosa da Tanzânia, a seguir a Dar es Salam e à capital administrativa (Dodoma), e destaca-se pela indústria mineira e agricultura (de que são exemplo as plantações de milho e café) subsidiada pelos programas de ajuda internacional. A cidade em si não tem grande interesse turístico, à parte ter alguma hotelaria nova e de referência, e ser o ponto de distribuição de safaris para os parques e reservas do Norte da Tanzânia. Sede do Tribunal Penal Internacional, Arusha tem feito a actualidade internacional dos últimos tempos, desde que está a decorrer o julgamento do genocídio no Ruanda.

Não há voos directos para a Tanzânia, fazendo-se sempre escala numa capital europeia, nomeadamente Amesterdão. É habitual fazer-se a viagem via Nairobi (Quénia) com destino ao Aeroporto Internacional de Kilimanjaro. A Air France/ KLM tem voos diários, fazendo a ligação em code-share com a Kenyan Airways e a Precison Air (nos voos internos).

*A jornalista viajou a convite da Across e Air France
** O título é a letra de uma música em suaíli. A tradução em português é: "Olá, Olá senhor. Não há problema".