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Thursday, April 16, 2009

Baja California Sul, o deserto improvável


Ruben Obadia


Baixa Califórnia Sul é um destino desconhecido dos portugueses, mas não lhe faltam argumentos para se assumir como uma das mais fortes apostas do turismo mexicano

Confesso a minha ignorância. Até ter recebido o convite do Turismo do México para visitar a “Baja Califórnia Sur” nunca tal tinha ouvido falar. Na Internet vários ‘sítios’ falavam do destino com paixão e entusiasmo, não poupando em adjectivos para o qualificar como uma das mais recentes pérolas do turismo mundial. Não me deixei convencer e decidi ver com os próprios olhos essa pérola que tanto falam e que nós, portugueses, tão pouco conhecemos.
Primeiro dado a reter. Qualquer semelhança entre a Califórnia dos Estados Unidos e a do México fica-se apenas pelo nome. O estado da Baja Califórnia Sul fica situado numa enorme península na região noroeste do México. Tem como fronteiras a Norte o estado da Baja Califórnia Norte, a Oeste e Sul o Oceano Pacífico e a Este o Mar de Cortéz. A capital é La Paz, junto ao Golfo da Califórnia, e é daqui que podemos partir à descoberta de Peurto Balandra, uma lagoa que conta com oito baías mais pequenas, e onde é possível encontrar El Hongo (cogumelo), uma formação rochosa que se tornou no símbolo da cidade. A Ilha do Espírito Santo e a Ilha Partida merecem também uma visita.


É na Baja Califórnia Sul que nos perdemos de encantos pela Natureza, com uma biosfera única que atinge o seu esplendor no El Vizcaíno, a zona protegida mais extensa da América Latina, ocupando uma área de 25 mil metros quadrados. É aqui que encontramos a Lagoa de Santo Ignacio e a Lagoa Ojo de Liebre, locais conhecidos pela reprodução das baleias cinzentas. Também nesta zona deparamo-nos com as misteriosas pinturas rupestres da Serra de San Francisco.

Los Cabos para turista ver
Mas a maior surpresa estava reservada mais para Sul, mais concretamente na região onde o Pacífico abraça o Mar de Cortéz. É aqui que se situa uma zona conhecida por Los Cabos, um corredor turístico com cerca de quarenta quilómetros, que liga as cidades de Cabo San Lucasa e San José del Cabo. O destino tem sido uma das mais fortes apostas do governo mexicano e é local chique de peregrinação para americanos endinheirados. No referido corredor sou surpreendido por um, dois, três, muitos campos de golfe. É então que informam que Los Cabos quer-se afirmar como um dos principais destinos de golfe do mundo. É fácil perceber porquê. Assistimos a um “milagre” improvável, já que o verde dos greens choca com a paisagem desértica, típica da região, pululada por cactos gigantes ao bom estilo do Oeste. Pela estrada deparamo-nos com sinais apontando para o campo de golfe Jack Nicklaus, Tom Fazio, Robert Trent Jones, II, Tom Weiskopf ou The Dye Corporation. E depois, como dizia um golfista, há sempre o risco de estar a jogar enquanto se assiste à dança de uma baleia no horizonte.


Oferta hoteleira
Quanto a hotéis a qualidade e diversidade impressiona. Há de tudo e literalmente para todos os gostos. No corredor turístico encontramos a oferta mais sofisticada e exclusiva, com unidades como One&Only Palmilla, Westin Regina (simplesmente fantástico!), Hilton Los Cabos, Melia Cabo Real, Dreams, Fiesta Americana ou um Sheraton Hacienda del Mar. O difícil está mesmo na escolha. Mas se esta recair em locais onde a vida nocturna é rainha, então Cabo San Lucas é o local de eleição, onde não falta um Nikki Beach situado no Hotel ME by Melia Cabo. Em San Lucas encontramos uma pequena cidade mexicana moderna e cosmopolita, onde se deve evitar a qualquer custo a praia. Não é que não seja boa, mas aqui domina o american way of life e conceitos como paz e espaço estão de todo arredados do vocabulário local. Em resumo, San Lucas é uma espécie de Cancun mais moderno e talvez até mais sofisticado mas onde só se entra com dinheiro, muito dinheiro. O melhor indicador é passear pela marina e apreciar a quantidade e dimensão dos iates aí presentes. Também, diga-se em abono da verdade, estamos na capital mundial da pesca do marlim e não há pescador no mundo que não gostasse de ter um exemplar da espécie como galardão.


Mas é fora do dito corredor artificialmente construído pelo homem, mas onde abundam todas as comodidades, que entramos em contacto com este estranho mundo. Um mundo onde somos contemplados pelo azul do mar de um lado e o inóspito deserto do outro. Não há nada, não cresce nada e o único murmúrio vem do mar bravo, que de Pacífico tem pouco. Depois é partir há descoberta, de preferência num jeep bem artilhado. Sim, que as estradas só as principais, tudo o mais nunca viu o cheiro do alcatrão. Aventurar-se pelos cerritos e descobrir praias depois de palmilhar muitos quilómetros. E quando falo de praias refiro-me a autênticos santuários de pelicanos em centenas de metros de areia fina onde não faltam oásis e riachos. Isto é a Baja Califórnia. Selvagem, quente, indomada.


A não perder

Viagem à pequena cidade de Todos Los Santos, parte da Rota dos Pueblos Mágicos. Situa-se a pouco mais de uma hora de San Lucas, rodeado de milhares de palmeiras, estamos perante um local com encantos especiais. Talvez seja devido à diversidade de galerias de arte, à variedade de restaurantes, às lojas de gostos refinados ou aos hotéis boutique… mas há ali qualquer coisa que não nos deixa indiferente. Em Todos os Santos impera um ambiente chill-out e a cidade esta pejada de turistas. Percebe-se porquê. É aqui que se encontra o Hotel Califórnia, imortalizado pelos Eagles, onde, como rezava a canção, “se pode encontrar um quarto em qualquer altura do ano”. Bem, isso foi antes. Agora o difícil é fazer uma reserva…

Tuesday, April 14, 2009

Holbox, refúgio de piratas


Ruben Obadia*


Perto de um dos maiores destinos turísticos do México (Cancún), a ilha de Holbox permanece desconhecida para a maioria dos turistas. E é isso que lhe confere o encanto…É um dos segredos mais bem guardados do México e não é para menos.


A ilha de Holbox é um pequeno paraíso com 43 quilómetros de comprimento e um de largura, onde impera areia branca e fina, banhada pelas plácidas águas quentes do Golfo do México.O sucesso de destinos como Cancún e Riviera Maia explicam em parte o facto de Holbox ter permanecido, até agora, longe dos holofotes da ribalta, num obscurantismo que a salvou de ser destruída pelos grandes projectos turístico-imobiliários. Holbox, é pronunciado Holbosh, já que o ‘x’ em língua Maia lê-se ‘sh’, e situa-se na ponta norte da Península do Iucatão. Depois de três horas de carro chega-se a Chinquilla, uma pequena cidade situada no continente, de onde parte o ferry para a ilha ou, em alternativa, se pode alugar um táxi-barco. Vinte minutos volvidos, após atravessar a lagoa Yalahao, eis-nos chegados ao paraíso.

Holbox tem cerca de 1600 habitantes, a maioria pescadores, e muitos deles descendentes de casamentos entre piratas, que fundaram a ilha, e Maias da região. Portanto, não espere encontrar uma aldeia sofisticada. Pelo contrário, as estradas são em areia, todas convergindo para uma praça central onde existe um campo de basquetebol, que parece ser o desporto mais popular da ilha. Carros também não há, sendo que os únicos veículos permitidos em Holbox, para além de bicicletas e motociclos, são os carrinhos de golfe.Chegar à Ilha de Holbox é como recuar no tempo até aos anos 50 ou 60. Aliás, andar de relógio é totalmente despropositado, já que o tempo deixa de fazer sentido. Não há discotecas ou bares, a caixa de multibanco mais próxima situa-se a 200 quilómetros, e apenas uma dezena de restaurantes satisfazem as necessidades dos poucos turistas que se aventuram pela ilha. Entre eles o mais conhecido é o Edelyn, pelas suas pizzas de lagosta, embora o Viva Zapata seja bem mais típico e agradável.Ao nível do alojamento as opções não são muitas mas todas são localizadas junto ao mar. E quando se lê junto ao mar, entenda-se a cinco metros da água! Nada de grandes resorts ou edifícios com mais de um andar. Apesar das limitações a ilha consegue oferecer de tudo, para todos os gostos e para todas as carteiras. Desde o chique discreto da Casa las Tortugas, com cabanas construídas de acordo com as tradições locais, as Palapas, ao Hotel Casa Sandra com um Spa holístico.

Depois de instalados começa a verdadeira aventura. E que aventura é essa? Não fazer absolutamente nada! Este é o destino ideal para quem quer fugir ao stress das grandes cidades, longe das hordes de turistas, e da tecnologia das sociedades modernas - rede de telemóvel só em alguns locais da ilha. Mas apesar de ser uma pequena ilha, Holbox é bastante heterogénea. Se do lado direito situa-se a maioria dos pequenos hotéis, o lado esquerdo surpreende pelo isolamento, onde se pode caminhar nas águas cristalinas e quentes durante mais de um quilómetro sempre com água pela cintura. Se caminhar não faz parte dos seus planos de férias a opção é alugar um pequeno carro de golfe e fazer-se à estrada. Perdão, à areia…

As actividadesde Holbox

Ao fim do segundo dia de praia é natural que seja acometido por um sentimento de pânico, tal a bonomia em que está mergulhado. E é mesmo no mergulho que está a salvação. O símbolo de Holbox bem poderia ser o tubarão-baleia - aqui conhecido por tubarão dominó -, tal a quantidade de anúncios a excursões para mergulhar junto ao maior peixe dos oceanos. A uma hora e meia de barco da ilha chega-se a um dos poucos locais no mundo onde é possível fazer snorkling junto a estes simpáticos gigantes. São às dezenas, com as suas bocas a sulcar a linha de água, em círculos lentos e estudados. E mergulhar requer alguma coragem inicial, logo ultrapassada pela emoção de nadar lado a lado com o tubarão-baleia ou ser surpreendido pela vizinhança de uma manta gigante.A ilha dos pássaros é outro dos locais a não perder. Situada a apenas meia hora de barco é, como o nome indica, um autêntico santuário de pássaros, albergando mais de 155 espécies. Ali é possível avistar flamingos, pelicanos, patos, entre muitos outros. No entanto, é estritamente proibido passear na ilha, tal a fragilidade do ecossistema, existindo alguns miradouros e passadiços em madeira onde os amantes de ‘bird watching’ podem tirar a barriga da miséria.Outra ilha a merecer uma visita é a Ilha da Paixão, a cerca de 15 minutos de barco da ilha-mãe. O nome já diz tudo e é só imaginar uma pequena ilha deserta de areias brancas, a sombra de palmeiras, e o barulho melodioso dos inúmeros pássaros, únicos habitantes do local. Os amantes da pesca encontram também em Holbox uma resposta às suas preces, sendo usual assistir à exposição dos troféus - barracudas, garoupas, entre outras espécies - na pequena doca de madeira da ilha.Enfim, a ilha de Holbox pode muito bem ser o local de férias preguiçosas ou, num abrir e fechar de olhos, ser o local ideal para quem procura desportos de mar e aventura. Mas para quem deseja um pacote mais completo, o conselho é combinar Holbox com Riviera Maya, de onde poderá partir à descoberta das ruínas de Tulum, a Sul da Praia del Cármen, ou explorar a impressionante zona arqueológica de Coba.Mas vamos por pontos. Se na chegada a Cancún se aconselha pernoitar na cidade antes de partir à descoberta de Holbox, no regresso da ilha para uns dias mais ‘civilizados’ na Riviera Maia é imperativa uma passagem por Coba.

O esplendor da Riviera Maya

A cerca de 50 quilómetros a sul do aeroporto internacional de Cancún começa verdadeiramente a Riviera Maya, com a cosmopolita Praia del Carmen, nome dado em honra da Nossa Senhora do Monte Carmelo, patrona da cidade de Cancún. Com pouco mais de 100 mil habitantes, a Praia del Carmen tem uma notória influência europeia, fruto dos muitos europeus que a escolheram para viver, e é um ponto de partida para viver as inúmeras experiências da Riviera. Quer seja para se fazer ao mar, rumo à ilha de Cozumel, num dos muitos barcos que partem a toda a hora do porto de Calica, quer para simplesmente usufruir das inúmeras praias onde a areia branca e o mar azul-turquesa domina. Mas é a partir do fim da tarde que a Praia del Carmen surpreende os recém-chegados, já que é a altura em que tanto locais como turistas confluem para a Quinta Avenida e avenidas paralelas. Aqui é possível ouvir desde americano a norueguês, passando pelo russo, o espanhol ou mesmo o japonês. E é ver a infinidade de lojas de grife, de pequenas bancas onde o artesanato domina, ou da oferta gastronómica pronta a satisfazer todos os apetites e bolsas. E por falar em comida, o destaque vai inteirinho para o restaurante Yaxche Maya Cuisine, onde se saboreiam vários pratos inspirados nas tradições culinárias dos maias, além de várias entradas baseadas na comida tradicional Yucateca.Ao nível do alojamento a oferta é verdadeiramente variada, embora a opção recaía invariavelmente nos inúmeros resorts tudo incluído que se estendem a sul até à cidade de Felipe Carrillo Puerto. A nossa escolha foi para o Grand Palladium Riviera Resort, um impressionante complexo hoteleiro situado a apenas 20 minutos da Praia del Carmen e implantado nuns impressionantes 1,2 milhões de metros quadrados. No total o resort oferece 454 quartos, dos quais 360 suites juniores, 72 suites e 22 ‘suítes maias’, seis restaurantes e um sem número de actividades. A pensar exclusivamente nos adultos, o Grand Palladium Riviera reservou uma área, a que designou “Suites Royal”, num conjunto de 130 quartos exclusivos situados à beira de um dos lagos no local.Mas se quer fugir dos grandes resorts há também hotéis de charme na própria Praia del Carmen, para além de pequenas unidades mais charmosas situadas ao longo da costa.Inevitável é visitar o Parque eco-arqueológico de Xcaret. Além dos vestígios arqueológicos, das actividades aquáticas, da riqueza da fauna e da flora, é possível assistir a um espectáculo (acompanhado de jantar) em que o espectador experimenta toda a riqueza cultural e folclórica do México. Se ainda sobrar tempo, um salto a Xel-Ha, um verdadeiro aquário a céu aberto, é também uma experiência inolvidável.E já em tempo de contagem decrescente para regressar, uma manhã de experiências no Rancho Punta Venado é certamente a cereja no topo do bolo.


* O Publituris agradece ao Grupo Orizonia Portugal, à Oficina de Turismo do México e à Fideicomiso de Promocion Turística de la Riviera Maya