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Thursday, February 4, 2010

ZANZIBAR, OU A MAGIA DO ÍNDICO










Stone Town. Quatro da tarde. Um sol abrasador e todos sentados à espera dos primeiros acordes do Sauti za Busara. É o segundo dia do festival de músicas do mundo que, todos os anos, em meados de Fevereiro, ocupa o Old Fort e que, seis anos depois da estreia, se apresenta como mais um motivo de peso para visitar Zanzibar.
O grupo, relaxado de uns dias de praia no Baraza?Resort, já sabe o que esperar do antigo forte – recinto em forma de anfiteatro, chão de terra batida e erva aparada, agora colorido com turistas e curiosos, entre bancas de artesanato e roupa, e exposições a céu aberto -, e por isso está sem pressa. Sabe que ali vai ao encontro das culturas e sonoridades africanas, de Nairobi ao Cairo, de Casablanca a Youndé, passando pela música popular de Zanzibar (Taarab). Esta será a última paragem do dia, já com o pôr-do-sol em perspectiva, no Zanzibar Serena Inn.
A escolha do local não é inocente, até porque o hotel é dos mais emblemáticos de Stone Town, além de ficar frente ao mar.




O charme da velha metrópole
Património da humanidade pela Unesco, Stone Town, a capital de Zanzibar pode, à primeira vista, desiludir os viajantes mais desatentos. Os sinais de decadência são evidentes, assim como são inegáveis as marcas de degradação nos edifícios de influência árabe, portuguesa, inglesa e oriental; a maior parte construída no século XIX com pedra de coral entretanto sujeita à erosão. Mas não leva muito tempo até se lhe perceber o charme próprio de uma ex-metrópole africana, e a sensualidade exótica condimentada com especiarias. Cravinho (o arquipélago chegou a produzir 90% da produção mundial), noz-moscada, caril, pimenta, canela… a combinação dos aromas transporta os sentidos no tempo. As especiarias ficaram do tempo em que a ilha era um importante entreposto do Índico e dava cartas no comércio de escravos. E hoje qualquer loja as tem, assim como os mercados e bazares, que as vendem até em formato souvenir.
A visita à cidade velha faz-se pelas ruas labirínticas, que na maior parte dos casos não deixam passar mais de quatro pessoas em linha (a não ser que furem o fora de jogo), quanto mais carros. O caminho percorre-se a pé, entre bicicletas e motas, mulheres carregadas de compras e de filhos, e bandos de crianças de uniforme escolar que seguem descalças pelas ruelas, brincando e sorrindo aos turistas. Enquanto isso os comerciantes, sentados nas soleiras das portas, esperam que os turistas lhes entrem casa adentro, comprovando que aqui nem as compras são forçadas. O contacto, apesar de raras vezes partir dos locais, é bastante afável, bastando uma expressão facial para se perceber se uma foto é ou não bem-vinda. Não há atropelos e a vida corre devagar, sendo apenas intercalada pelas buzinas dos veículos que se atrevem pelos becos, ou pelo chamamento da oração. A devoção ao islamismo – o arquipélago é maioritariamente muçulmano (97%) – é perceptível tanto nas vestes, como nas orações que, cinco vezes ao dia, reúnem os homens nas mais de 50 mesquitas e locais públicos. Um desses locais é o Jardim Jamituri, junto à Casa dos Sonhos (House of Wonders em inglês e Beit El Ajab em árabe). Mas há outros monumentos que cumprem o ritual da passagem de testemunho entre os vários povos que por ali passaram e assentaram arraiais (persas, sírios, egípcios, africanos, indianos, chineses, portugueses, árabes, holandeses e ingleses) e merecem uma visita. Um deles é a já referida Casa dos Sonhos, que hoje acolhe o Museu Nacional de Zanzibar. Esta foi mandada construir pelo sultão Barghash Bin Said e assim chamada por ser o primeiro edifício em Zanzibar com luz eléctrica e elevador. Outras referências na cidade são o dispensário, já restaurado e hoje conhecido como Centro Cultural Aga Khan; e o Tribunal de Justiça, que apesar de ser um projecto de um arquitecto inglês (J.H. Sinclair) tem estilo árabe e influências portuguesas. Destaque ainda para o Old Fort (construído em 1700 no sítio que já fora ocupado por uma igreja portuguesa); e para o Palácio Museu, o mais recente dos palácios dos sultões, na estrada do porto, com vista sobre o mar.
O dia começara cedo, sobretudo para quem, madrugada dentro, já esperava o pescado no porto dos pescadores. O mesmo ‘catch of the day’ que a vista havia de vislumbrar nas ementas dos restaurantes dos hotéis e, antes disso, no mercado de Malindi, exposto nas bancas ao ar livre tal qual se faz nos mercados da carne e fruta, todos na mesma rua. Por isso, após a tão esperada despedida do Sol nas águas do Índico, é tempo de voltar à preguiça do Baraza.


No príncipio e no fim… a praia
Zanzibar pode ser culturalmente rica, que o é. Mas as praias paradisíacas, de areal branco a perder de vista, e entrecortadas por palmeiras, são o verdadeiro cartão postal do destino. A vista aérea não engana: um verde turquesa imenso, povoado de pequenos ilhéus, a maior parte deserta, e alguns com pequenos vilarejos piscatórios.
O grupo ainda não pisou a areia fina, de textura pó-de-talco, nem espreitou os corais escondidos sob as águas mornas e límpidas, e já está ansioso por chegar ao resort e à praia. Bwejuu, onde fica o Baraza, foi a escolhida. Aí vai descobrir as sensações do mergulho e do snorkelling e, sem demoras ou pudores, entregar-se-á ‘às coisas simples da vida’, onde o mais difícil é decidir entre a praia e a piscina.
Num cenário idílico, com um horizonte aberto (o turismo de massas ainda não mora aqui, graças à exclusividade e luxo dos resorts), é fácil perder-se a noção de tempo. Que o digam os velhos dhwos, pequenos barcos de pesca e transporte que outrora cruzaram o Índico e que ainda hoje deslizam junto às margens. As noites são quentes e ainda convidam a um mergulho em casa, nas piscinas privadas das villas. A isso e a mais dois dedos de conversa. Voltar é que não! Afinal é Fevereiro e está frio lá fora, onde o mundo continua.

A interpretação do sonho de um sultão
Inaugurado em Dezembro do ano passado, o Baraza Resort & Spa é o mais recente dos três hotéis do croata Raguz e é uma ode à presença dos sultões neste destino. À semelhança do Breezes Beach Club & Spas e do The Palms, o Baraza foi construído na praia de Bwejuu (já votada pela revista Condé Nast Traveler como uma das 30 melhores do mundo), a 10 minutos de carro da aldeia piscatória com o mesmo nome e a 50 de Stone Town. Formado por 30 villas (14 T1 e 15 T2, além de uma suite presidencial), o resort apresenta uma fusão de estilos, incluindo o design árabe, swaili e indiano tanto na arquitectura como na decoração.
Além do luxo, o espaço é uma das lições a tirar do empreendimento, já que as villas variam entre 148 e 254 metros quadrados, e estão bastante distantes entre si, numa privacidade ajudada pelo declive do terreno e pelos jardins e vegetação circundantes. Todas têm quarto de vestir e zona de relaxamento (esta uma recriação dos sultanatos), além do(s) quarto(s), sala e casa de banho, e a presidencial vai ao ponto de incluir acomodação para o mordomo. No exterior das villas, o terraço termina numa piscina individual, localizada consoante a vista é o oceano ou os jardins do resort. Na diária – cerca de 700 euros à excepção da presidencial – o serviço inclui pensão completa, bebidas alcoólicas, incluindo cerveja, vinho e cocktails, águas, refrigerantes e chá a meio da tarde, uso do campo de ténis, fitness center e piscina. O Spa e as excursões não estão incluídos, assim como o mergulho e snorkelling, room service e Internet.

Tudo começou em 1992, quando o empresário Raguz há mais de 20 anos radicado no Quénia (em Naioribi detém o Palacina The Residence & Suites) se apaixonou por Zanzibar e foi tomado pela ideia romântica de abrir um hotel de luxo na ilha. O local escolhido era remoto, ideal para o sossego e privacidade dos turistas, mas por isso mesmo desafiante tecnicamente. Com a obra, veio o problema da falta de água potável, electricidade e outras peripécias, como a de uma dieta à base de caranguejo e peixe fresco durante a empreitada. Certo é que o Breezes acabou por vingar e o projecto tem vindo a ser continuado, com novos hotéis ao longo da praia.

TravelTips
Zanzibar

- A 35 km da costa da Tanzânia, o arquipélago é composto por Zanzibar (a ilha maior, também conhecida por Unguja) e Pemba, além de um conjunto de pequenas ilhas. O nome Zanzibar é de origem árabe, e vem da palavra Zangh Bar, que significa “o negro da costa”. Terá sido atribuído pelos árabes no primeiro contacto com os habitantes da ilha.


- O convite ao descanso é feito durante todo o ano. A temperatura média ronda os 25 a 29º graus. Abril e Maio são os meses das chuvas; o pico do Verão é em Dezembro e o do Inverno em Junho.


- A vacina contra a febre amarela é obrigatória. O passaporte deve ter a validade mínima de seis meses e o visto (50 dólares) é obrigatório, mas pode ser obtido à chegada ao aeroporto.


- Não há voos directos. Mas a KLM voa para o destino em code-share com a Kenyan Airways. A ligação pode ser feita via Nairobi (Quénia), ou Dar Es Salam (Tanzânia).


*A jornalista viajou a convite da Across e da Air France

Thursday, April 16, 2009

Sun City, o paraíso perdido


Ruben Obadia*


Fernando Pessoa escreveu um dia “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. É certo que Sun City estava ainda longe de ser erguida mas se há local no mundo onde esta máxima faz sentido é neste resort situado a 187 kms de Joanesburgo, África do Sul.
Circundado pelas imponentes montanhas do Pilensberg, Sun City começou a nascer na década de 70 pela mão de um visionário, Sol Kerzner. O empresário afirmou um dia ser “o Indiana Jones dos negócios” e é fácil perceber porquê. O resort remete-nos para uma cidade perdida na selva, onde a atenção ao pormenor, aos pequenos detalhes, chega quase a ser uma obsessão.
A primeira unidade a ser inaugurada foi o Sun City Hotel, construído em 1979 junto ao actual campo de golfe com a assinatura de Gary Player. É aqui que se situa o casino, no seu tempo o único local na África do Sul onde era permitido jogar, e o Sun City Theatre, com 640 lugares. Dispondo de 340 quartos, todos orientados para uma piscina, este quatro estrelas disponibiliza uma variedade de bares e restaurantes, desde o Orchid, especializado em comida asiática, ao Raj, indiana, Calabash, comida sul-africana, entre outros. Quase 30 anos após a sua construção, o Sun City Hotel iniciou em 2007 um processo de renovação das suas infraestruturas, num investimento global de 21 milhões de euros que ficará concluído em Novembro deste ano. Estas mudanças fazem-se sentir não só ao nível da decoração dos quartos como também no aumento e modernização das casas de banho. Segundo Boris Bornman, director de operações do Sun City Resort, “o design está em harmonia com o verde da vegetação do exterior e a paisagem de cortar a respiração”.


Em 1982 abria o segundo hotel de Sun City, o The Cabanas, um três estrelas, situado junto a um lago, com uma vocação clara para acolher famílias. Com 380 quartos, oferece um conjunto de equipamentos concebidos a pensar nas crianças, com destaque para o Kamp Kwena Fort, um aviário que acolhe aves exóticas, uma quinta ecológica, mini-golfe, gaivotas e trampolins. Também neste caso o Cabanas foi alvo recente de uma profunda remodelação. Apesar de o lobby manter a sua decoração original, um mosaico de papagaios, peixes e flores, a intervenção fez-se sentir ao nível das habitações. Os quartos surgiram de cara lavada, apostando num design retro de estilo europeu, predominando o rosa e o verde-água. Mas se pensa que o facto de estarmos perante um três estrelas isso o diminui face aos seus ‘irmãos’ mais ostensivos, desengane-se. O Cabanas talvez seja o hotel que oferece o ambiente mais descontraído do resort e disso faz gala.


Dois anos após a abertura do Cabanas, em 1984, abria o Cascades. Ao longe assemelha-se a uma pirâmide maia. Puro engano! Estamos diante um cinco estrelas, com 243 quartos, envolto em jardins luxuriantes e que disponibiliza duas piscinas, uma delas aquecida.


Mas a verdadeira pérola estava guardada para o fim. Em 1992 nascia o The Palace of the Lost City, um ‘seis estrelas’ onde nada, mas mesmo nada foi e é deixado ao acaso. Feche os olhos e imagine uma tribo africana fluorescente, rica, imaginativa, onde o conhecimento e o respeito pela natureza fosse o seu bem mais precioso. Continue com os olhos fechados e imagine agora a sua cidade, as ruas, os jardins, os lagos, os recantos. Pode abrir agora os olhos e vai descobrir que imaginou o Palace ao pormenor. Com 338 suites, o destaque vai para as camas king-size esculpidas manualmente. O salão de chá é local obrigatório de peregrinação e o Villa del Palazzo, um restaurante que aposta na gastronomia italiana, surpreende pela inclusão no seu menu de vários pratos de caça.


* O jornalista viajou a convite da Across